17/06/2016

Álcool e seus efeitos no organismo

09-junho-nutricionistahugoO álcool é considerado uma fonte energética calórica, que fornece 7kcal/g e que não pode ser estocado pelo organismo. Como é considerado uma substancia tóxica pelo mesmo, a sua eliminação torna-se alvo prioritário do nosso corpo, o que altera a atuação do organismo em outras vias metabólicas, como as relacionadas ao processo de queima de gordura, fato este que favorece os estoques de gordura no organismo, preferencialmente na região abdominal. Além disso, no final do processo de degradação do álcool é gerado um metabólito chamado acetato, que pode ser utilizado para a produção de energia, fato este que contribui para a inibição da queima de gordura.

É importante ressaltar também que o álcool atua como um estimulador de apetite. Estudos apontam que o álcool atua em diversos  sistemas neuroquímicos e periféricos relacionados ao controle de apetite. Adicionalmente, ele também está relacionado a elevações na liberação de cortisol, hormônio responsável em aumentar a oferta de energia para o corpo e a busca por alimentos. Sendo assim, é evidente que o consumo de álcool está na maior parte das vezes associado ao consumo de alimentos, em decorrência do aumento na fome e apetite que produz.  A composição desses alimentos que são consumidos juntamente com as bebidas alcoólicas são de extrema importância, já que podem atuar de maneira sinérgica com os efeitos negativos gerados pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Isso dá-se pelo fato de que grande parte desses alimentos tendem a ser de alta densidade energética, como embutidos, frituras, carboidratos simples, entre outras opções, o que segundo alguns estudos justificam a maior prevalência de sobrepeso em pessoas dependentes do consumo de bebida alcoólica.

 

Além disso, o consumo do álcool também está associado a outros efeitos no organismo. Um deles é o aumento da desidratação, fato este que aumenta a concentração de toxinas no organismo, além de criar juntamente com o excesso de cortisol, um ambiente totalmente desfavorável para o anabolismo muscular, já que o músculo é composto por 70% de água, o que torna um ambiente hídrico adequado essencial para quem deseja manter ou ganhar massa muscular. Ele também atua na diminuição da glicemia, já que o álcool é interpretado como se fosse açúcar. Isso provoca um maior estimulo para a produção e liberação de insulina, hormônio responsável por retirar a glicose do sangue e levá-la para os tecidos, o que nesse caso pode acarretar em situações de hipoglicemia (diminuição do açúcar no sangue), o que explica várias pessoas que terminam suas noites no hospital após a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Além disso, ele também está associado a deficiência de algumas vitaminas e minerais, como algumas do complexo B e o magnésio, mineral este que possui um papel crucial em diversas reações do organismo relacionadas ao anabolismo protéico, ou seja, sua excreção/deficiência pode estimular negativamente pessoas que objetivem o aumento de massa muscular.

 

Portanto, ficaremos mais famintos e compulsivos, perderemos músculos, água, aumentaremos a excreção de importantes vitaminas e minerais  e ainda teremos uma maior produção e acumulo de gordura, principalmente na região abdominal. Claro que nem foi mencionado outros problemas que o consumo do álcool pode trazer a saúde, como os psicológicos e sociais. Sendo assim, se você deseja resultados mais consistentes e rápidos, evite o consumo de bebidas alcoólicas. Se não puder evitá-las, pondere sua utilização, evite o seu consumo associado a alimentos calóricos e não esqueça de hidratar-se de maneira constante.

 

REFERÊNCIAS:

Kachani AT et al. O impacto do consumo alcoólico no ganho de peso. Revista de Psiquiatria Clínica. 35(1): 21-24, 2008.
Sernizon Guimaraes, N; Silva de Aguiar Nemer, A; Arlene Fausto, M. Influência do consumo de álcool nas alterações antropométricas: uma revisão sistemática. Nutr. clin. diet. hosp. 33(3):68-76, 2013.

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